Comentários feitos por especialistas brasileiros da PMK Fundraising e Supporter's Club - www.pmk.com.br

Como Você Escreve Sua Comunicação de Fundraising?


O bloqueio das idéias, da inspiração, pode atacar o redator de fundraising a qualquer hora.

E, no nosso caso, isso pode ser mais frequente, pois escrever peças de comunicação para uma Instituição pode ser algo rotineiro, sem grandes emoções.

Com frequência o bloqueio das idéias ataca na hora que você tem um prazo para concluir seu texto. Um corredor com o adversário pisando no seu calcanhar.

As horas passam, o dia termina, e você ainda está embrulhado com seu texto. O prazo: quinta-feira. Na quarta sua tela ainda está em branco. Talvez por que você não tenha conseguido escrever uma linha sequer. Ou então já escreveu três ou quatro vezes algo e... não gostou.

Mas pense bem: ninguém está lendo o seu rascunho. Ele é só seu, ele está lá para você colocar suas idéias, tudo que passa pela sua cabeça. Ninguém vai ver.

Uma vez que seus pensamentos estão no papel você pode trabalhá-los, organizá-los, reorganizá-los, de maneira a ir compondo algo que faz sentido.

O bloqueio do redator acontece apenas quando ele fica olhando para uma página em branco e tentando ter A idéia. 

Quando você encheu essa página de notas, ele não acontecerá. Ele vai se dispersar no meio das notas, dos rabiscos.

Talvez a sua experiência seja diferente. Se for, por favor, compartilhe nos comentários abaixo.

Alguém pode dizer: "está bem, mas eu não estou escrevendo um poema ou um conto. Estou escrevendo um apelo de fundraising, uma peça de comunicação, que deve transmitir uma idéia e convencer alguém a doar. Eu não posso simplesmente encher o papel com aquilo que está na minha cabeça e achar que relendo aquilo vai sair algo que funcione!"

Sim, você pode - e à vontade.

O que é mesmo uma carta ou um e-mail de captação de recursos? 

Ela é antes de tudo a transmissão de uma impressão, de uma dificuldade. 

Você envia  uma correspondência, ou um e-mail, porque você não pode ir falar com o doador em pessoa. 

Ela toma o lugar de uma visita pessoal. Imagine que o doador aparecesse agora na sua frente e lhe dissesse: "então o que vocês estão precisando? O que lhes aflige nessa hora?"

Você consegue imaginar esse encontro cara-a-cara? 

No encontro você não vai escrever para ele. Você vai falar!

Sim, é isso que as pessoas fazem num encontro: falam.  Portanto, é isso que você vai fazer também. 

Abra a tela do seu computador e comece a conversar com o seu doador.

Imagine-se sentado com um de seus doadores mais dedicados - um verdadeiro amigo de sua organização. O que você diria a ele? 

Ou então digite como se tivesse trocando mensagens com ele através de um chat. Pode fazer isso de qualquer maneira. Não há certo ou errado nesse ponto. Assim como em uma conversa real, você não pode editar ou apagar. 

O que é dito é dito. Basta manter a digitação, e não pare até que você tenha terminado. Você vai ter muito tempo para rever mais tarde. 

Importante: Basta manter a digitação! Não leia o que você está escrevendo. Se você fizer isso, você pode ser tentado a começar a fazer as correções - cedo demais. 

Quanto você estará pronto para o texto definitivo? 

Algo em torno de 35 a 40 minutos. 

Nesse intervalo, se você é bom, não vai conseguir pensar em outra coisa. Aliás, você conversa com alguém sem concentrar sua atenção? Se o faz... que tremenda falta de educação!

Muitas vezes uma grande idéia se apresentará cinco minutos depois que você começar a jogar suas idéias no "papel".

Ok. Ótimo.

Mas você ainda está conversando com seu doador. Não se preocupou com a ordem do conteúdo da conversa. Você apenas transmite idéias. E na sua imaginação, ele também fala com você.

E agora? Imprima uma cópia de tudo que escreveu e faça uma pausa. Não olhe para seu texto ainda. Apenas o imprima para mais tarde, e vá fazer outra coisa.

Amanhã vai ser tudo diferente! (Por isso você não pode deixar para começar essa "conversa imaginária" em cima da hora dos prazos que você tem para a redação final).

Seu objetivo agora é limpar a cabeça, para depois começar a edição e revisão. O que acontecerá a partir de uma perspectiva mais objetiva. 

Leia. Releia, Repita.

E... Você está de volta! 

Agora você vai ler o que você escreveu. Resista à tentação de editar ainda. Basta ler tudo do início ao fim.

Sentindo-se mal?  Já está imaginando como você vai transformar essa bagunça em um texto claro e polido de redação? Relaxe.

Vai dar tudo certo. Seu rascunho está feito. Você tem todas as peças que você precisa dispostas no papel na sua frente. Tudo o que resta a fazer é limpá-las e decidir onde colocá-las. 

Editar, reorganizar e re-escrever até que você tenha um projecto que você se sinta feliz com ele. 

Mas não se engane ainda, amanhã você fará uma revisão melhor ainda (viu porque não pode deixar para a última hora?). Se você tivesse "finalizado" seu texto no primeiro dia, com certeza ele sairia banal, superficial, feito no "piloto automático".

Alguns redatores conseguem fazer um TEXTO FINAL com apenas uma revisão. São tão raros, que eu acho uma temeridade você imaginar que está entre eles... Aliás, quem acha isso em geral não está nesse grupo.

Feito tudo isso... VOCÊ ESTÁ QUASE PRONTO.

Agora que você está feliz com seu texto, há apenas uma coisa que resta fazer: lê-lo em voz alta

Lembra que falamos acima que uma carta ou um e-mail é como uma conversa? 

Realmente toda a comunicação é (ou deveria ser) dessa forma.

E ler o texto em voz alta vai lhe ajudar a sentir se ele parece com uma  conversação, se ele soa como a forma que você fala. Então está tudo pronto. 

Se não, você tem algumas edições finais a fazer. Se alguma coisa soar estranho ou fora do lugar? Elimine-a. Se parece estranho na hora que está sendo lido em voz alta, será estranho na página também... 

Agora reveja seu texto até ele soar como algo natural, falado em voz alta. 

Parabéns! Você foi a partir de uma página em branco, frustrante, para uma comunicação clara e de impacto para o seu doador.

Talvez você tenha levado um par de horas. Talvez um par de dias. De qualquer forma, aposto que foi mais fácil do que você pensou que ia ser!

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